A fruição e produção de diferentes linguagens artísticas e expressões
culturais afirmam-se, cada vez mais, como direitos de cidadania e vetor de
desenvolvimento. Entretanto, indicadores de acesso a bens e equipamentos
culturais no Brasil refletem significativa desigualdade; herança de processos
colonialistas, imperialistas e expansionistas que geraram “concentração de
poder econômico e político produzindo variadas dinâmicas de subordinação e
exclusão cultural” (BRASIL, PNC, 2008, p.30). Pesquisa do IBGE (2001),
“Informações básicas Municipais”, aponta uma escassez acentuada de equipamentos
culturais em municípios de menor população; teatros, cinemas e museus são pouco
presentes na maioria dos municípios; a emergência de um novo padrão de
desigualdade provocado pelo acesso desigual aos aparelhos de cultura e lazer
relacionados às novas mídias e tecnologias digitais, entre outros. Além das
desigualdades regionais entre pequenas e grandes cidades, no interior dos
municípios, as periferias, bairros populares, morros, favelas são “verdadeiros
desertos de equipamentos culturais” (BRENNER; DAYREL; CARRANO, 2005), realidade
em boa parte dos municípios do Vale do Mucuri.
Em relação às
oportunidades de expressão e fruição cultural pelo segmento juvenil, análise da
Pesquisa Perfil da Juventude Brasileira demonstra a precariedade da
democratização da cultura no Brasil:
Têm
mais acesso aos bens culturais no Brasil os jovens dos grandes centros urbanos,
das regiões Sudeste e Sul do país e, ainda, aqueles que apresentam maior
escolaridade e renda, numa evidência de que a desigualdade social gera
desníveis culturais que reproduzem o círculo vicioso que vem empobrecendo o
capital instrutivo de jovens ao não construir as condições materiais e
socioculturais da possibilidade que os jovens realizem escolhas culturais
alternativas (BRENNER; DAYREL; CARRANO, 2005, p. 212).
O combate à
precariedade da democratização da cultura no país passa pela politização. De
acordo com (COUTINHO, 2011, p. 09), “só é possível entender plenamente os
fenômenos artísticos e ideológicos quando estes aparecem relacionados
dialeticamente com a totalidade social da qual são, simultaneamente, expressões
e momentos constitutivos”. Para o mesmo autor, “[...] formas e idéias são
também expressão condensada de constelações sociais, meios privilegiados de
reproduzir espiritualmente as contradições reais e, ao mesmo tempo, de propor
um modo novo de enfrentá-las e superá-las” (COUTINHO, 2011, p. 09).
Uma das
alternativas possíveis a este enfrentamento é a educação popular, uma educação
para a liberdade, que assenta suas bases na Pedagogia da Libertação de Paulo
Freire, para o qual é imprescindível uma ação cultural para a liberdade. Para
este educador, a ação cultural libertadora se caracteriza pelo diálogo, pelo
conhecimento, é um tipo de ação que problematiza, possibilita às classes
dominadas a compreensão crítica da verdade de sua realidade, bem como, incide
sobre a estrutura social no sentido de transformá-la (FREIRE, 1981).